2011 não foi definitivamente o ano deste blog. Nem uma atualização sequer. Para mostrar que 2012 chegou fazendo a diferença vou postar um texto sobre o delicado e prazeroso momento da introdução dos alimentos ao bebê por volta dos seis meses de idade.
Depois do susto inicial do bebê que caiu no nosso colo ao nascer encaramos um primeiro trimestre de dúvidas, adaptações e medos secretos que fazem a mãe acordar de noite (para conferir a respiração do filhote), além claro dos campeões de audiência: sono e cansaço. O segundo trimestre chega com jeito de coisas se ajeitando. Vamos conhecendo cada vez mais o baby, que agora já se encaixa perfeitamente nos braços experientes da mãe e do pai. Conosco foi uma época de muito peito, amamentação se estabelecendo a valer, e a idéia de alimentação para o bebê era algo que beirava a órbita de plutão.
Mas eis que num passe de mágica, entre centenas de noites mal dormidas, chega o sexto mês. O início de uma nova fase para nós e nossos filhotes. Como toda novidade, tem tudo para nos deixar inseguras, com certo pé atrás. Nessa hora temos a orientação da pediatra, que surge como guia, mas que jamais deve soar como caminho estrito a seguir. Aproveito a deixa para dizer que esse texto reúne informações que coletei ao longo de meses de pesquisa em nutrição para bebês na busca de um caminho pessoal para a alimentação da minha filha. As escolhas contidas aqui fazem parte do meu processo de crenças e idéias a respeito da saúde e do papel da alimentação na manutenção de um corpo saudável. Nessa busca conheci alguém que de longe me ajudou e muito: Sônia Hirsch.
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Quando o bebê faz seis meses, começa uma sensação de que é agora ou nunca. Gostaria de dizer às mães que relaxem nesse momento. A introdução alimentar deve ser feita de maneira lenta e prazerosa, como trata-se de apresentar os alimentos e ir formando o paladar da criança, melhor que seja feita aos poucos enquanto a casa vai adaptando-se à nova rotina. Insituir de uma hora para outra um ritmo novo pode confundir os pais, o bebê, a babá, os avós. Enfim, o que poderia ser legal vai virar um stress só. Aqui em casa eu precisei de um tempo para me organizar. Anita começou a provar alimentos com oito meses, e foi tudo bem, no tempo dela. É legal neste momento perceber a demanda do bebê por novidades, para equilibrar a demanda dos pais com a demanda do bebê.
Existem diversas correntes pediátricas mundo afora que orientam, de maneira diferente, a introdução dos alimentos, junto com a orientação da pediatra de anita, que é naturalista, fiz um mix de diversas correntes e montei o nosso esquema.
Ao que interessa:
Comecei oferecendo uma fruta a cada dois dias. Evitava as frutas ácidas, no mais, oferecia quase tudo. Depois passei a oferecer uma fruta de manhã e uma verdura (cozida no vapor) pura no almoço. Suco de manhã. Achei bem interessante essa orientação porque podemos mapear as reações do baby a cada alimento (desde reações alérgicas, a produção de gases) e também porque vamos formando o paladar aos poucos.
Nessa fase inicial as frutas e verduras não "sustentam" o bebê, que ainda mantém sua rotina de leite materno. O ideal é que o momento da apresentação dos alimentos seja um momento de prazer para o bebê e a mãe ou pai, que eles possam explorar a novidade com as mãos ou do jeito mais esquisito que lhe interessar. Ainda não há que contar colheradas nem ficar frustrada à negativas do bebê. Ele não tem obrigação de comer nada, não vale forçar.
Em menos de um mês, parti para a rotina de introdução. Com direito a sopinha (mistura de duas verduras com temperos) e sucos. Olha como ficou nosso esquema aos 8 meses:
06:00 – leite materno
08:00 – suco de fruta: lima, laranja-lima, água de coco, melão, melancia, manga, goiaba (120 a 160 ml)
10:00 – papinha de fruta: banana-prata, mamão, pera, maçã, abacate.
(Dica: cozinhar no vapor a maçã e a pera até soltarem a casca. Fica mais docinha e é só amassar.)
12:00 – leite materno
15:00 – sopa: verdura + cebola + tempero verde + 1 folha verde.
modo de preparo:
Cozinhar 2 verduras no vapor. Refogar cebola e tempero em água, colocar as verduras junto, refogando. Quando desligar o fogo, colocar a folha verde e tampar. A idéia é que a folha cozinhe muito pouco no vapor. Depois passar tudo na peneira.
1. abóbora + (chuchu ou quiabo)
2. cenoura + (madioquinha ou batata doce)
3. beterraba + (aipim ou inhame)
4.
Folhas verdes: couve, espinafre, lingual de vaca, agrião, rúcula
17:00 – leite materno
20:00 – leite materno
Oferecer água a cada 1 hora no dia.
Uma ótima dica para oferecer inhame, mandioquinha e outros legumes mais secos, é amassar com leite materno. Pode parecer esquisito, mas fazia um sucesso retumbante.
Aos poucos fomos variando as papinhas, acrescentando novos sabores.
Papinhas salgadas – 12:00
cenoura + batata doce + alecrim + agrião
abóbora + xuxu + hortelã + espinafre
beterraba + inhame + cebolinha + espinafre
mandioquinha + quiabo + salsinha + agrião
aipim + abobora + hortelã + rucula
Dica preciosa da pediatra: Ralar castanha do pará nas frutas amassadas. Rica em selênio e outros micronutrientes importantes para nós, para os bebês, um pequeno tesouro.
E perto dos 10 meses foi acontecendo a fase de transição. Frutas ácidas liberadas com apoio do melaço de cana para adoçar. Agora ela almoçava e jantava. Foram introduzidos os cereais (arroz integral, macarrão integral) feijão verde, ervilhas frescas, lentilha, grão de bico, milho verde, etc. As proteínas vegetais vieram com força: tofu, cogumelos, algas marinhas. Aqui, mesmo não sendo vegetarianos fizemos a opção de resguardar a pequena da carne vermelha, mas em outro post explico as razões. Maravilhoso foi descobrir que as algas marinhas possuem maior concentração de proteínas e nutrientes do que o peixe, única carne que introduzimos no paladar da pequena. E o peixe veio acompanhado do seu melhor amigo, o pirão. uhmmmm era um sucesso.
Mas daqui a pouco continuo escrevendo até chegar no cardápio do casamento da menina. Calma. A idéia era falar do momento de introdução alimentar. Uma vez li que tudo que os bebês consomem, em comparação a um adulto fazem uma diferença muito maior porque o seu volume de massa é muito menor, então um biscoito recheado faz mal a um adulto e faz muito, muito mal a um bebê. No primeiro ano de vida assumi posturas que considero muito importante na preservação da saúde do bebê. Lá vai:
NUNCA, OU NEVERLAND
INDUSTRIALIZADOS - nada de danones, sucos prontos, biscoitos coloridos
AÇÚCAR BRANCO - nunca, jamais. acho inclusive maldade. quem quiser saber mais sobre os malefícios do açúcar refinado para o organismo, basta dar um giro rápido pela net.
FARINHA BRANCA - sempre optei (e ainda hoje) pela farinha integral, rica em nutrientes, ao contrário da farinha branca que além de não alimentar favorece a formação de quadros de debilidade do organismo.
MUDANÇA DE HÁBITO:
ORGÂNICOS - O Brasil possui uma triste marca de campeão mundial de utilização de agrotóxicos. Muitas substâncias, comprovadamente relacionadas a casos de câncer e proibidas em boa parte do mundo, aqui são despejadas diariamente sobre as mais diversas lavouras por conta de uma legislação permissiva que favorece os grandes produtores agrícolas. Esse é um ponto que me mobiliza. Quando anita começou a comer, dava um jeito (pagava mais caro) mas oferecia apenas orgânicos. Hoje, já criamos o hábito de comprar um pouco mais distante de casa, mas garantimos para todos alimentos com menor índice de química, da braba por sinal.
A idéia desse texto é servir como inspiração para que cada um desenvolva sua forma de alimentar o filhote. Fiz especialmente para Taise Andrade e Gabriela Leite, irmãs queridas que encaram pela primeira vez colheres, pratinhos, peneiras e babadores. Para todas uma dica: relaxem que a tendência é tudo dar certo.
