quarta-feira, 27 de maio de 2009

All you need is love

O papel da mãe nesta geração que vivemos sem dúvida merece um post, melhor, acho que merece uma tese. Faz tempo que quero escrever sobre isso.


Faz relativamente pouco tempo que a mulher se afirmou profissionalmente, conquistando a independência financeira e pessoal, cuidando da sua realização fora do ambiente doméstico e longe dos afazeres do lar. A geração de mulheres que viveu sistematicamente essa batalha abandonou o modo de vida da dona de casa e em função disso, muitos aspectos da maternidade foram deixados de lado. A amamentação não era uma questão tão relevante já que a mulher não dispunha de tempo em casa e no mercado haviam substitutos para o leite materno. Muita coisa aconteceu até chegarmos aqui. Fazendo um recorte do meu círculo de amizade e adjacências ( não seria boba de generalizar ) percebo mulheres ligadas à sua realização profissional, ligadas ou não a algum companheiro fixo, com interesses diversos que envolve desenvolvimento intelectual, atividades físicas, busca de equilíbrio emocional, independência financeira e um monte de outras coisas que ocupam nosso tempo entre boas noitadas de diversão. Nesse contexto surge a maternidade, a vida vai então ganhando novos contornos. 


Sinto que nesta geração de mulheres, há um reencontro com a maternidade e as diversas nuances da maternagem. No primeiro momento, abdicamos dos cuidados com a casa, nos afastamos do trabalho, abandonamos estudos, leituras, atividades físicas e o relacionamento amoroso vira um lugar perdido entre netuno e o sub-planeta plutão. Todo o foco de atenção está nos nossos filhotes e no cuidado com eles. As babás, quando já estão incorporadas nesse momento, têm papel coadjuvante enquanto a mãe se ocupa de todas as funções e questões que envolvem esse momento tão delicado. Entre os direitos (conquistado aos poucos) da nova mulher, está o de permanecer em casa pelo tempo necessário para assegurar o desenvolvimento físico e emocional do filho no início da vida. Amamentação exclusiva virou uma bandeira. Excesso de colo, de carinho, abordagens psicológicas e nesse percurso diversas maneiras de incorporar o filho aos antigos afazeres transformados pela nova vida. E a vida nova, para além da maternidade, traz muitos desafios.


Ficar em casa rodeando o filhote é o melhor que poderia haver. Mas já não somos só donas de casa. Aos poucos vamos retomando as atividades e conciliar as diversas facetas assusta e coloca novas questões, prioridades, eu diria. A mulher agora se divide entre a casa, o filho, o trabalho, o estudo, o relacionamento, as atividades físicas e muito tempo depois volta a pensar em diversão. Sim, porque com o filho, a casa exige novo ritmo, organização britânica com horários cumpridos, hábitos alimentares saudáveis, e outros fatores que desenharão uma rotina. Para isso precisamos do auxílio de funcionárias competentes e dedicadas.

Bom, encontrar uma babá (pelo menos aqui em Salvador) é uma missão quase impossível, requer uma grande rede de contatos e acima de tudo muita sorte. Confiar a guarda momentânea dos nossos filhos a outra pessoa é um tema tão delicado que merece um outro post.


Organizando a casa e a rotina dos nossos filhos, partimos para todo o resto: a retomada do trabalho e suas agruras diárias, a necessidade de se manter atualizada através de cursos e especializações (a remuneração pelo trabalho deve aumentar em progressão geométrica), o cuidado com o relacionamento já que a paixão naturalmente vai serenando, a importância da atividade física que mantém o corpo em forma e a mente equilibrada, estimulando a vaidade saudável... estou cansada só de escrever.

É que listando assim, me parece que a situação vai ganhando arestas dramáticas, afinal como dar conta de tudo isso sendo uma só?


Ao mesmo tempo que o contexto atual nos coloca em cheque ao solicitar aptidões diversas e simultâneas, a mulher ao se transformar em mãe  desenvolve de maneira incrível a sua intuição, além de se ver fortalecida para enfrentar o desconhecido. Há um motivo maior para o simples acordar todos os dias, por mais que ele seja difícil. A mulher, depois de mãe, vira uma guerreira. 


E é com a disposição que outrora não tínhamos, que vamos encarando as diversas fases desta vida que desejamos e que se apresenta pouco a pouco. Na sociedade da informação, dispomos de muitas ferramentas para recriar modos de sobrevivência. O google funciona como secretária ou pediatra. Com a mudança no perfil das mulheres, o homem também assume novos papéis e assim um novo modelo de família vai se desenhando.

Com compreensão, força e serenidade, acredito que seguiremos felizes, por mais que às vezes o caminho trilhado seja tortuoso. E para terminar, o amor. O mundo em geral precisa de mais amor, that's all we need.

2 comentários:

Carol disse...

adorei o texto!! só acho que ainda precisamos conquistar mais tempo para ficar em casa como os nossos filhos... All you need is love.

vovókika disse...

"Depois de ser mãe a mulher se torna uma guerreira"...e bota guerreira nisso.
Legal o texto.
Concordo com a Carol:precisamos conquistar mais tempo pra ficar com nossos filhos.
Particularmente,decidi não terceirizar os cuidados nos 3 primeiros anos da minha filha,mas admiro quem consiga com desprendimento(que eu não consegui ter).Aguardo o post sobre a babá,com certeza será interessante.
abç