Anita tem três meses completos. Ela já fez sua primeira viagem de carro, já dá boas gargalhadas, já dançou forró e por pouco não pulou uma fogueira. Mesmo não parecendo mais uma bebezica recém-nascida, por aqui tudo ainda tem cheiro de inaugurações.
Aos poucos a vida vai parecendo encontrar uma rotina e o trabalho começa a ocupar mais o meu tempo. De maneira prática, me preparar para sair de casa sem Anita envolve uma organização da casa, da rotina dela, da sua alimentação, a orientação para quem vai cuidar dela durante a minha ausência. No último quesito até que estamos mais tranquilos já que o papai ficará sempre em casa enquanto a mamãe não vem. Será ele a alimentar Anita na minha ausência e isso é um ponto muito importante para nós dois.
Mas sair a trabalho e deixar Anita em casa requer uma preparação emocional e psicológica ainda mais delicada. Aos três meses de idade ela ainda vive como se mãe e filha fossem um corpo só, e ela não é a única. Ainda tenho necessidade grande de tê-la sempre perto cuidando das suas pequenas descobertas, amparando-a, confortando-a, lhe trazendo a segurança do colo da mãe. Meus hormônios orquestram mensagens por minuto: Seja apenas mãe! Ainda é muito cedo! E a elas tento responder com calma e serenidade.
Nessa primeira viagem ao fantástico mundo da maternagem, me parece muito importante dedicarmos um tempo de exclusividade aos filhos nesse início da vida. Faço questão de registrar que na próxima gravidez me organizarei para passar um tempo maior em casa.
Mas voltando a questões práticas:
Uma coisa me parece clara: as mães devem mesmo sofrer mais que os bebês ao sairem de casa, pelo menos em casos como o nosso em que Anita ficará acolhida no ambiente de carinho que preparamos para vê-la crescer. Me resta então, deixar a ansiedade e angústia de lado, encarar a vida que nos é dada a viver e fazê-la o melhor que posso.
O ponto mais delicado de tudo isso é sem dúvida a amamentação exclusiva. Como mantê-la estando fora de casa? A primeira coisa é recorrer a todos os utensílios disponíveis: Bombas de extração de leite (manual ou elétrica), copinhos com bico de silicone, mamadeiras, potinhos de vidro, chupetas, etc. Tem de tudo ao gosto do freguês.
Para mim o mais adequado foi a bomba elétrica e uma mamadeira da marca Avent que possui bico ortodôntico e regula o fluxo de leite, criando uma dificuldade próxima a que o bebê encontra ao sugar o peito da mãe. Juntei os potinhos de vidro e as informações de como coletar e armazenar adequadamente o leite materno. Com tudo em mãos, parti para a operação.
Conversando com outras amigas descobri que tirar leite para armazenar não é uma tarefa tão simples. Ansiedade, frustração, stress… muitos fatores levando à desistência. A minha primeira experiência foi cercada de expectativa e milhões de dúvidas. Acho que desde o nascimento de Anita nenhuma outra experiência tinha me deixado tão insegura. Se Anita mama em livre demanda tenho que conciliar a ordenha do leite com os seus horários irregulares de mamada, para garantir que haja leite disponível para a pequena.
Para algumas mulheres a produção de leite supera a demanda do bebê, tornando a tarefa de ordenhar leite para estocar uma tarefa simples. Para a maioria das mulheres, no entanto, a produção se adequa à demanda do bebê e por isso a quantidade que se consegue ordenhar é pequena e isso gera uma frustração. Eu mesma cheguei a pensar que levaria uma semana para conseguir tirar a quantidade necessária para uma mamada de Anita. Mas é justo nesse momento que devemos ter mais tranquilidade e persistir na empreitada.
Se a sucção estimula a produção de leite, a utlização da bomba no início serve mais para estimular o aumento da produção do que para ordenhar propriamente. Quando entendi isso foi um alívio geral. Usar a bomba mais de uma vez por dia passou a ser um exercício com objetivos futuros. Claro que toda quantidade de leite coletada nesse primeiro período é devidamente armazenada, afinal a preciosidade dele é diretamente proporcional à dificuldade de obtê-lo. Mas aos poucos o corpo vai se encarregando de mandar mais leite e depois do bebê saciado temos leite à vontade para tirar e guardar.
As dicas sobre o melhor momento e técnicas para ordenha são diversas, mas todas insistem na importância de nos mantermos tranquilas e obstinadas, pois construir um banco de leite leva tempo.
Termino com uma frase de Raduan Nassar que muito me emociona: só o tempo nos dá a justa natureza das coisas.
Para Dani e Melibai, pela ajuda essencial.
3 comentários:
Tenille,
A cada encontro, a cada conversa a cada palavra sua que leio, mais me impressiono com a delicadeza e a profundidade impressas nas suas pegadas nessa vida. Você é linda. E a forma como vê e vive a maternidade me emociona e faz com que me sinta próxima, muito próxima de você, apesar do pouco tempo. E feliz demais pelo encontro.
Beijo grande!
Dany
humm... ian com 2 anos e meio ainda acha que sou dele...rsss. Como ele já se considera "homem" outro dia saiu com essa depois dos meus apelos para ele tirar a mão do meu peito dizendo que ele não era mais bebê: 'homem também chupa peito, lalalalala...'
Tirar leite foi uma das tarefas mais estressantes, mas como tive sorte de trabalhar em casa até ian fazer 1 ano e meio, pouco utilizei. Fiquei o tempo todo por perto, o que equivaleu a esquecer vida social, entre outras coisas, mas quando pensava naquela bombinha o estresse já imperava lá em casa.
Mas penso ser isso: a maternidade é esse eterno ajuste da vida a vida do nosso filho, nessa tentativa de cuidar deles, educá-los e prepará-los.
Boa sorte!
Dany,
Conversar com você me traz um retorno à serenidade necessária para encarar a vida de mãe. Me sinto igualmente feliz.
Carol,
ian é mesmo um garoto decidido que luta pelo que quer. rsrsrs e no final das contas ele tem toda a razão.
na tarefa de tirar leite, só me falta mais tempo, anita quer mamar toda hora... mas estou confiante.
;)
Postar um comentário