segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A escola de Ian

Quando Ian fez 02 anos já estávamos nesse movimento de encontrar uma escola para ele que fosse de acordo com as nossas posses, perto de casa e acolhedora. Na gente nem bateu aquela dúvida de colocar com 02 ou 03 anos, pois moro num prédio que não tem crianças e tenho poucas amigas com filhos, então colocar na escola seria uma maneira de coloca-lo em contato com outras crianças. Aqui perto de casa tem três. Dessas uma era muito cara, o dobro das outras. Das outras uma era só concreto, uma energia fria e a outra me fez recordar os primórdios da minha infância, na escola Jr, uma das poucas lembranças que mantive dessa época. Era uma escola de fundo de quintal, a diretora, que era a dona, morava em cima. A escola tinha 20 anos. Uma garota do nosso edifício estudou lá e tinha excelentes lembranças. A professora substituta, pois a principal estava grávida e teria o filho no decorrer do ano, também já tinha estudado lá. O ambiente era pequeno, improvisado, mas muito pessoal, com a cara de alguém que zela pelo que gosta. (Me parece que a escola é a vida dessa diretora). Gostei do ambiente, de como os espaços eram divididos, o preço era bom e era do lado de casa. Nem titubeamos. A adaptação de Ian não foi fácil. Ele era muito apegado a nós e estava desmamando. Aprendi ali que não deve se fazer grandes mudanças ao mesmo tempo. Tudo se torna mais difícil. Eu estava filmando um longa metragem, com mais de 12 horas de trabalho e fui orientada a não ficar muito tempo lá. Então, durante a primeira semana eu levava ele e ficava até umas 14:30. Ninha, minha fiel escudeira, pegaria às 16 hs. Ian chorava sempre e continuou chorando no ano seguinte. Era muito estranho. Nunca queria ir, mas quando voltava falava que tinha adorado e relatava coisas que tinha acontecido. Mas não queria ir pra escola. Não gostava da farda. Tudo era chato. Em casa era melhor. Então, comecei a prestar atenção, a frequentar mais a escola, a observar e percebi que a escola tinha uma postura muito diferente da que levamos em casa, da educação que propomos a Ian. E na verdade, parece não haver empatia dele com a escola. Conversei muito com minha mães sobre isso, não sei porque não o fiz antes, e ela também acha que hoje, para Ian que tem 03 anos, a escola oferece pouco a ele. Na verdade é daquele tipo de escola que quer enquadrar o aluno na sua rotina e não o contrário. Deixa de aproveitar a expressão da criança para potencializar o conhecimento e o desenvolvimento das habilidades. Não é que seja uma escola ruim, mas não é essa parceria que quero para a educação de Ian. Ele já sabe escrever o nome dele. É incrível, mas não vejo porque ele precise. Sabe das três letras, das quais ele compara com A de Amor, I de Índio e N de Navio. Reconhece essas letras em outras palavras, mas coloca no mesmo lugar os nomes e os números. Gosto de algumas propostas da escola, como o teatro que os pais fazem para os filhos, esse ano fui a galinha amarela. Mas quero que Ian estude em uma escola que tenha outro comportamento, que pense na alimentação, nas atividades, na interpelação junto as crianças, na noção de autonomia e de autoritarismo. Quando fomos falar com a diretora sobre essa angustia dele em relação a escola, ela atribuiu a nossa separação. Pronto, qual é o próximo problema? Uma leitura equivocada e unilateral das coisas, universalizando questões tão pessoais. Fiquei só ouvindo. Cheguei a refleti, mas pensei: paciência, já estamos no fim*.

* vamos tentar uma nova escola.

P.S1: Instigada por Tenille resolvi reavivar essa página, talvez seja o tempo livre (à noite) de quem mora sozinha com o filho de 03 anos, meu companheirinho. Ou talvez o desejo de escrever para me distrair. Ou apenas um relato, um arquivo para a memória. Com certeza é a maternagem e é o meu filho Ian que me possibilita ser mãe. Mamãe.

P.S2: Estamos muito colados com Ian nessa coisa da escola. Depois dessa conversa, eles flexibilizaram mais. Ian não vai de farda, falta de vez em quando e como tudo ficou mais frouxo ele já se conforma em ir para escola, arrisco a dizer que até gosta, sempre com reticências, mas não é mais o mesmo suplicio. Sinto que isso seja um amadurecimento dele.

2 comentários:

Daiane Silva disse...

Ai Carol...as escolas de nossas crianças são muito complicadas. Um dia participei da reunião de pais do colégio de Nana (sobrinha) e sair arrasada com o q vi. Escola pequena,calorenta, nada acolhedora, com "hora de brincar", com direção aproveitando a reunião pra apontar defeitos dos alunos. Pense aí? E eu até pensei q era coisa das escolinhas de Aguas Claras. Mas vejo q não é por aí não...
Não sou mãe (ainda) mas me preocupo muito com estas questões. A escola não acompanha o ritmo das crianças dessa geração e isso me deixa muito preocupada. Enfim, acredito muito na força e no potencial do espaço escolar. Mas, ela precisa se renovar...e urgente!!!

Bjos!!!

Carol disse...

Pois é Dai, parece que desde muito cedo é assim para a maioria das pessoas, para a maioria das escolas. É bom termos escolas que procuram essa renovação, infelizmente são para poucos, uma vez que são caras, como é caro também a educação particular como um todo. Fico pensando nesses anos primordiais, na primeira infância e em como ela é tão importante na consolidação de novas posturas futuras...